Línguas românicas

 

                        

 

. As línguas Celtas e Itálicas eram do mesmo tronco ancestral comum do Indo-Europeu, o Ocidental, que originou-se do Centum. Portanto, o Gaulês (língua falada na Gália, atual França) e o Celta Lepôntico (língua falada na Gália Cisalpina – norte da Itália – e na Récia) eram muito parecidos com o Latim. A sintaxe e gramática eram aparentemente quase idênticas e muitas palavras eram também bastante  idênticas ou similares, o suficiente para serem inteligíveis. Vejamos alguns exemplos: "cavalo" é equos em gaulês e equus em latim; “rei” é rix em gaulês e rex em latim; "cerveja" é cervesia em gaulês e cervisia em latim; etc.

. Conseqüentemente, os falantes de Gaulês, Celtíbero (falado na Península Ibérica) e Celta Lepôntico podiam aprender Latim com bastante facilidade. Poderia até ser argumentado que o latim vulgar, que evoluiu nas línguas românicas modernas, era uma mistura de latim com os diversos dialetos regionais celtas. Isso explicaria algumas mudanças de pronúncia, como na terminação –us do latim clássico, passando para –o no latim vulgar, tal como no gaulês. Se isso realmente aconteceu, o italiano, o francês, o occitano, o catalão, o castelhano, o galego, o português e o romeno não seriam descendentes diretos do latim, mas sim, misturas do latim vulgar com dialetos celtas regionais, explicando a maioria das variações presentes nestes falares atuais.

. Curiosamente, três dentre as principais línguas originadas do latim, tem o acento tônico das palavras em posição diferente. O francês é predominantemente oxítono, o português é paroxítono e o italiano é proparoxítono.

 

Italiano

. Até o século XIX, a Itália estava dividida em diversos reinos e cidades-estados, falando diversos dialetos oriundos do latim. Estes dialetos eram, na maioria das vezes, incompreensíveis entre si. Com a unificação, liderada politicamente pelo Piemonte, o dialeto que veio a se tornar o italiano atual, foi o toscano, escolhido graças à pujança cultural de Florença, desde a época do Renascimento.

. Um romano ressuscitado reconheceria o seu idioma com mais facilidades num texto em italiano atual do que em qualquer outra língua românica da atualidade.

 

Francês

. O francês se originou do dialeto da Île-de-France, a região em torno de Paris, um daqueles pertencentes à “langue d’oïl”. Na Idade Média, os dialetos da “langue d’oïl”, mais influenciados pelo germânico, dominavam no norte do país. Os dialetos da “langue d’oc”, aos quais pertencem o “occitan”, o “provençal” e outros, são mais próximos do latim, dominavam o sul. E, finalmente, o “francoprovençal” da Savoie, também falado na Suíça e na Itália, com características intermediárias entre as duas primeiras.

. O francês é a mais germânica das líguas derivadas do latim, graças aos aportes da língua dos francos, povo germânico que invadiu a França no século V.

. O francês também tem um som único nas línguas românicas: o “u” (som entre o “u” e o “i”). Ele foi herdado do mesmo som alemão do “ü”.

 

Espanhol

. O espanhol é uma língua românica, que se originou no centro-norte da Península Ibérica. Gradualmente, sob o nome de castelhano, ela se espalhou pelo Reino de Castela, evoluindo depois para tornar-se a língua principal da Espanha.

. O espanhol tem semelhanças com o português. Contudo, dentre inúmeras outras diferenças, existem aquelas de fonemas, sendo as principais: ll = lh e ñ = nh.

. Os falantes de português entendem o espanhol com mais facilidade, do que os falantes de espanhol entendem o português.

 

Catalão

. O catalão, a língua falada em Barcelona, desenvolveu-se por volta do século IX a partir do latim vulgar, de ambos os lados dos Pirenéus.

. O catalão é mais próximo do francês do que do espanhol. Ele se situa entre o espanhol e o outrora importante provençal do sul da França, língua da poesia trovadoresca medieval.

 

Galego

. O galego se encontra mais próximo do português do que do espanhol. Ele se originou, a partir do século IX, do galaíco-português, língua falada nas regiões de Portugal e da Galícia. Além da evolução posterior do galego, sofreu também algumas influências do castelhano.

. Se você ler a primeira página de um jornal em galego, vai ficar duplamente impressionado. Primeiro pela proximidade das duas línguas. Mas também pela grande quantidade de palavras com a letra “x”. Isto, porque ela equivale ao “j” português, como por exemplo em “Xosé” ao invés de “José”.

 

Português

. O português formou-se do amálgama sutil entre a língua galaíco-portuguesa dos primeiros tempos e dos falares das regiões de Coimbra e de Lisboa.

. Os italianos dizem que o português, notadamente o falado no Brasil, lembra o acento do dialeto genovês. Curiosamente, fontes históricas nos dizem que a maioria dos colonos itálicos, que consolidaram a conquista da Lusitânia, vieram do Abruzzo e da Ligúria, cuja capital é justamente Gênova.

 . Há defensores da teoria que o som “ão”, exclusivo hoje do falar português, procede da língua dos suevos ou suábios, um dos povos germânicos que se instalaram, por alguns séculos, na região da Galícia e do norte de Portugal.